O meu corpo é meu! Porque insistem em me tolher a liberdade? A querem só para si?
Também sou humana, também sou feita de carne, também sinto desejo.
Também tenho direito de obter prazer através de minhas próprias mãos. Direito de desbravar cada parte do meu corpo, de me esbaldar em mim, me embriagar nas sensações. Quem poderá conhecer-me melhor que eu mesma?
Tocarei meu corpo, me darei o prazer que almejo.
Simplesmente porque posso. Porque desejo. Porque este gozo também me pertence.
Não oprima. Não se reprima. Porque ser escrava de pudores desnecessários?
Basta! Basta desse pensamento limitado que insiste em nos dizer que tocar o corpo que nos pertence é inapropriado, é errado, impuro, nojento.
Nosso corpo é perfeito, é lindo, uma fonte de inúmeras sensações. Se descubra, redescubra. Sempre.
Basta! não se deixe vitimar por valores egoístas
És pássaro livre. Também o sou. Entenda que também direito de voar. E desfrutando da liberdade voarei nas asas do prazer que me dou.
Não tente arrancar minhas asas.
Tenho um voo tão lindo, e irei usufruir.
– Niniane
Certo dia, estava eu, malandramente,
em um papo descontraído com a galera quando o tema ‘masturbação’ entrou
em pauta, não demorou até esbarrar no assunto ainda tabu em alguns
circulos: a masturbação feminina. Inclusive, desta breve discussão foi
que surgiu o humilde poema acima.
Em nossa cultura é muito comum, inclusive normal, que
os homens desde a mais tenra idade sejam adeptos da prática, são, na
grande maioria das vezes, fortemente incentivados. Das mulheres, já não
se pode dizer o mesmo, para elas isto é ‘proibido’.
Há uma forte repressão moral, religiosa e
social que esta impregnada em nossa cultura, a masturbação feminina –
siririca para as mais intimas – é associada à algo pecaminoso,
vergonhoso, imoral, nojento e|ou sujo…
Para os homens, como dito antes, normal como uma troca de roupas.
Pergunto-me, até quando usaremos dois pesos e medidas?
Até quando, narizes vão se torcer quando uma mulher ousar confessar, publicamente, em alto e bom tom que bate uma siririca?
Em condições normais de desenvolvimento, a
priori, todos – homens e mulheres – estão sujeitos ao desejo, à
curiosidade quanto ao próprio corpo, ao descobrimento da própria
sexualidade.
Quando um adolescente tranca-se no banheiro e
alguém deduz que ele esteja em um momento de auto satisfação, é
‘aceitável’. Ele é macho afinal. É o garotão do papai. Vai traçar as
novinhas na escola. Só falta receber tapinhas nas costas. E se fosse uma
menina?
De forma aberta, velada e, em alguns casos,
‘sem querer’, somos ensinadas|programadas que a masturbação é algo
nojento, errado, feio, pecaminoso. E isso não é nem depois de adulto.
Quer um exemplo?
Quando
vc vê um garotinho ainda na infância, sem entendimento racional,
descobrindo o próprio corpo “é engraçadinho” “é aceitável” “é cabra
macho igual o papai”. Mas se pegam a garotinha fazendo o mesmo, se
esfregando nos móveis ou se tocando, sentem-se horrorizados. Ela é
imediatamente repreendida e reprimida.
Até quando?
Entenda:
Uma ‘moça de família’ não é sinônimo de assexuada.
Uma mulher que decidiu exercer seu direito à
liberdade sexual não é uma ‘vadia’, é apenas uma mulher que não se
curvou à um tabu estúpido.
A sexualidade feminina deveria ser vista com mais naturalidade. Talvez assim diminua a incidência de mulheres sexualmente frustradas e insatisfeitas, que muitas vezes, nunca tiveram o prazer de descobrir o que é um orgasmo.
A sexualidade feminina deveria ser vista com mais naturalidade. Talvez assim diminua a incidência de mulheres sexualmente frustradas e insatisfeitas, que muitas vezes, nunca tiveram o prazer de descobrir o que é um orgasmo.
Somos todos humanos, suscetíveis ao mesmo desejo…

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