sexta-feira, 22 de julho de 2016

A Beleza De Ser o Que Somos...









Um profissional pode ostentar um puta cartão de visita que impressiona, mas isso, em nada garante a boa qualidade do serviço ou produto que oferece. Às vezes é só mais um diploma na multidão, que investiu dinheiro na confecção do cartão mas não investiu a si mesmo naquela profissão | trabalho.

É, eu sei que isso não tem nada a ver com o título do post e você deve estar pensando, essa guria é louca? Não. Estou muito sã.  Será?

A intenção é um breve paralelo. Acompanhe:

O nosso corpo é o nosso cartão de visita. A nossa aparência é o que chega primeiro em qualquer lugar onde somos desconhecidos.  Existe até uma variação de um antigo ditado popular que diz ‘beleza não põe mesa, mas convida para a sobremesa’.  A questão é, pode ser que a sobremesa não seja que você mais gosta. E talvez, em alguns casos, vai ser justamente aquela que você odeia com todas as suas forças.  Porém, seduzido pelas aparências, sentou-se à mesa e descobriu, tarde demais...



"A beleza pode seduzir teu olhar mas não é ela que fará o teu corpo (e a tua mente) vibrar."


Na cama, cartão de visita não serve pra nada.

Na cama, possuído pelo desejo, não vamos ficar procurando celulites, estrias, gordura localizadas, manchas e afins. 

Não vamos tirar uma régua do bolso pra medir o pau do parceiro ou uma fita métrica pra saber o tamanho do bíceps.

Na cama o nosso companheiro não vai olhar se a nossa calcinha é de algodão ou renda. Vai arrancar ela com os dentes sem olhar direito. Na hora do tesão, estamos entregues aos braços do prazer. Ao frenesi da satisfação. 



Certo dia, isso já faz mais que 01 ano, estava eu na faculdade e ouvindo o papo dos garotos ao lado. Muito decepcionado, o rapaz contava a sua infelicidade: Chamou uma mulher pra sair. E ficou muito feliz que ela aceitou. Era a mulher do sonho de todo homem. Linda! Um corpo de dar inveja, malhada, toda gata. Ele certamente esperava que a beleza viesse acompanhada de outros atributos e era nítido que tinha bastante expectativa com o encontro. Pulando pra parte que interessa:  Quando chegou a hora do sexo, a decepção veio a galope. Nas palavras dele, nunca esqueci, disse: "... parecia que estava transando com uma múmia, uma estátua! Não tinha a menor das atitudes."

 É, parece que nosso amigo, não gostou da sobremesa.



O desejo pode ser algo físico, mas não apenas. A nossa libido e|ou sexualidade é ativada não apenas pelas percepções sensoriais. Ela perpassa a nossa fantasia, eu entendo que, a atração sexual pode e surge através de uma percepção mental e mais subjetiva. É além físico. A título de exemplo:

Sou baixinha, tenho 1m59cm e pasmem, tenho 90kg, o meu biotipo é ampulheta, ou seja, o maior acúmulo de gordura do meu corpo é na região dos quadris, bumbum e coxas. Conservo a cintura - amém!. Sou, de acordo com OMS, obesa. Passo bem longe do atual modelo de beleza vigente. Tenho celulite, estrias, gordura localizada, acne, marcas de espinhas e afins... e sabe o que ouvi tempos atrás?


"Valeu a pena te esperar, sempre te achei atraente. Sexy, inteligente, sabe conversar. Você é meiga, dengosa, sensual, gostosa e tem um fogo...
[...] Adoro você
[...] Posso dizer uma coisa? Jura não ficar chateada? Eu nunca me atraí por gordinhas, mas você, nossa! Me deixou arriado. Muito sedutora"


Esse diálogo foi de alguém que insistiu 08 meses, por uma chance. Independente das minhas negativas, ele não desistiu. Até que, um dia, parei de fugir.

Estou aqui compartilhando isso, não para contar vantagem, mas para mostrar que, não estar enquadrada na fôrma, não me faz menos mulher, não me faz menos sensual, menos bonita, menos atraente ou menos inteligente. E sabe por que? Simplesmente porque a beleza ultrapassa o concreto. Isso nos mostra que o poder atrativo não está atrelado, necessariamente, à uma beleza física estonteante,  digna de deusas gregas. Todos somos diferentes, mesmo que teimem em tentar nos fazer ser iguais.

Não se autodeprecie. Há tanta beleza na diversidade. Na sua singularidade. ..


Você pode até não se achar o cartão de visita mais maravilhoso da gráfica, mas você, ainda que na simplicidade, terá seu público. E surpreenderá, com a excelente pessoa que você pode ser e com a sua capacidade. Às vezes, o que você considera ser um defeito é, na verdade, um diferencial. E é possível que ao olhos de outros, seja até, algo belo. Ou ainda, algo irrelevante. 

Não vale a pena se martirizar. E se você encontrou alguém que só se importava com o cartão de visita, certamente esse alguém era indigno de toda a tua possibilidade de ser excelente naquilo que é e faz.

Vou compartilhar aqui uma experiência: Certa vez conheci um rapaz na cidade de Anapólis - GO, era uma excelente pessoa, naquele momento, fisicamente, em nada me atraia. Era mais ou menos da minha altura, gordinho e com pelos no corpo à lá Tony Ramos. Fugia totalmente às minhas preferências. Nunca gostei muito da idéia de passar a mão em um peito cabeludo, eu era do Team Pelados. A minha percepção não tardou a se modificar. Ele sempre foi uma pessoa muito inteligente, sagaz, sabia conversar, era educado, era gentil, carinhoso, enfim, era bastante dotado de qualidades que eu apreciava, não tardou até que tivéssemos um interesse mútuo, independente de nósseas características físicas.  Resultado? Namoramos alguns meses, e foi uma das melhores relações que eu tive, em TODOS os sentidos. Éramos realizados e apaixonados um pelo outro e nos desejávamos com intensidade."  
Faça as pazes, não apenas com o espelho ou com a balança, mas consigo mesmo. Liberte-se e alce voos tão altos quanto pode ser capaz.



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Amar: a vilania do século?

Corpos quentes, corações frios. Amar, seria agora, uma vilania?


"Tornou-se gélido o coração que um dia fora puro calor." ~Greyce Lene


Tenho fome. E cada dia tenho mais. Mas não é uma fome ou uma sede qualquer.
É uma fome voraz, de afeto, de carinho, de permissão.  De pizza, batata frita, filmes novos no netflix e muito sexo de qualidade também.

Talvez você me pergunte: Como assim permissão?

Eu explico, se tem tem algo que me deixa bastante triste, é ver o quanto as pessoas se distanciaram não apenas umas das outras, mas de si mesmas. Temem o próprio sentir. 
Para disfarçar o medo – ou a covardia – fazem do amor uma coisa de trouxa.  Escondem-se, cada dia mais, atrás de mascaras. Tornam-se algozes não apenas do outro, mas de si mesmo. Condenando-se a uma caminhada solitária.

Usam-se, abusam-se e descartam-se  como objetos. Chamam isso de liberdade. Tempos modernos né?  Estranho usar essa liberdade para no fim nos tornarmos prisioneiros do medo.

O medo de amar. O medo de confiar. O medo de se entregar. O medo de ser amado.  O medo de querer demais. O medo da dor. O medo do sofrimento. O medo da decepção.

Em um mundo de desapegos, de relações fluidas e fugazes, ter sentimento é quase como ter uma doença contagiosa. 





Certo dia, conversando com uma amiga que mora no nordeste,  ela me disse:

“Estou cada dia mais fria e menos feliz. Meu problema é que não confio (...) Tenho medo de me entregar. Eu acho que não sei amar, sei lá...”

Eu respondi com o meu coração: “Eu entendo amiga.  E te faço a mesma pergunta que eu faço a mim mesma sempre: De que adianta a vida a tua frente, todo o horizonte de possibilidades, se tu não se permitir viver realmente?”

Achei interessante ela dizer “acho que não sei amar”, não porque eu acredite que ela realmente não saiba, e sim porque percebo a imensa dificuldade de muitas pessoas em lidar com os afetos.

É tão mais simples lidar com o tesão, com o desejo carnal, com o prazer, com o sexo.

Beijos quentes e uma foda selvagem são menos complexos que um cafuné de conchinha.

É fácil gemer aos gritos, falar sacanagem ao pé do ouvido, mas (quase) ninguém sabe o que fazer com aquele carinho espontâneo que quando se percebe, escapou pelos lábios.

Queremos corpos suados, mas não queremos a responsabilidade de um coração pulsante.

Amar é quase uma vilania.

Quer ser superior? Seja frio. Não se entregue. Se faça de difícil. Não demonstre que se importa.

Somos bombardeados com isso quase como se fossem palavras de ordem em um protesto.

Falamos tanto sobre a autovalorização e o amor-próprio e aos poucos, esquecemos, cada dia mais, de amar o próximo.

Polarizamos em vez de equilibrarmos.

Tal qual o mito de Narciso, somos vitimas do nosso orgulho, da nossa vaidade e de nosso egocentrismo.

Onde nos perdemos?

Acredito que o amor é único. E se manifesta de maneira igualmente singular para todos. Não é uma receitinha de bolo.

Ás vezes a vida bate com um pouco mais de força, e nesses momentos, eu já fraquejei. Quis ser durona. Mas não é a minha essência. Não consigo não sentir

Prefiro sentir, ainda que seja dor, a ter de ouvir o eco do vazio.

Não sonego amor e tampouco carinho. Eu sou por inteiro. Sinto, logo, demonstro.

Isso me faz vulnerável? Com certeza.  Sempre há gente mal intencionada em aproveitar-se da boa fé e da transparência alheia.

E apesar de quaisquer preços que eu paguei, ou venha a pagar, posso dizer: Eu vivi, realmente.

Não suporto a ideia de tornar-me gélida. 

Já tive grandes paixões, alguns amores e o coração ferido em alguns momentos.

Fui decepcionada vezes sem conta. Traída idem. Tive uma coleção de mágoas e decepções.  Já chorei um Atlântico.

Mas nem toda dor e sofrimento vai apagar a felicidade que senti, o amor sincero e pleno que senti, os momentos, os alegrias, os risos, o amadurecimento e a experiência.

É difícil? É. Ás vezes dói mesmo. Mas a gente se reconstrói, mostra de que é feito, põe a resiliência em prática e segue em frente.

Quando penso em endurecer, lembro-me de algo que li:

“Nunca se arrependa de amar. Perde não aquele que ama, mas aquele que não soube receber o amor.”

Viver é isto. Um ciclo e um aprendizado, nem sempre fácil e quem disse que seria não é?

Há desafios, obstáculos, dores, mas também há prazer, alegria, felicidade, afetos. Como toda moeda que tem dois lados, a vida tem ônus e bônus. Não se pode ter um descartar o outro. Ambos são necessários, nos ensinam e proporcionam, muitas vezes, um crescimento pessoal.

Em suma, viver, se permitir, sentir e se aventurar, é uma ação de risco.

Convido-te a abandonar o medo e abrir o coração.

Não dizem por ai que da vida só se leva a vida que levamos?

Você pode se arrepender? Pode, e provavelmente vai, em alguns momentos.

Mas só tem um jeito de descobrir realmente: Se permitindo.

Ás vezes, é melhor acordar arrependido do que ir dormir na vontade.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Masturbação Feminina: Pela liberdade de tocar meu corpo


O meu corpo é meu! Porque insistem em me tolher a liberdade? A querem só para si?
Também sou humana, também sou feita de carne, também sinto desejo.
Também tenho direito de obter prazer através de minhas próprias mãos. Direito de desbravar cada parte do meu corpo, de me esbaldar em mim, me embriagar nas sensações. Quem poderá conhecer-me melhor que eu mesma?
Tocarei meu corpo, me darei o prazer que almejo.
Simplesmente porque posso. Porque desejo. Porque este gozo também me pertence.
Não oprima. Não se reprima. Porque ser escrava de pudores desnecessários?
Basta! Basta desse pensamento limitado que insiste em nos dizer que tocar o corpo que nos pertence é inapropriado, é errado, impuro, nojento.
Nosso corpo é perfeito, é lindo, uma fonte de inúmeras sensações. Se descubra, redescubra. Sempre.
Basta! não se deixe vitimar por valores egoístas
És pássaro livre. Também o sou. Entenda que também direito de voar. E desfrutando da liberdade voarei nas asas do prazer que me dou.
Não tente arrancar minhas asas.
Tenho um voo tão lindo, e irei usufruir.

– Niniane
Certo dia, estava eu, malandramente, em um papo descontraído com a galera quando o tema ‘masturbação’ entrou em pauta, não demorou até esbarrar no assunto ainda tabu em alguns circulos: a masturbação feminina. Inclusive, desta breve discussão foi que surgiu o humilde poema acima.
Em nossa cultura é muito comum, inclusive normal, que os homens desde a mais tenra idade sejam adeptos da prática, são, na grande maioria das vezes, fortemente incentivados. Das mulheres, já não se pode dizer o mesmo, para elas isto é ‘proibido’.
Há uma forte repressão moral, religiosa e social que esta impregnada em nossa cultura, a masturbação feminina – siririca para as mais intimas – é associada à algo pecaminoso, vergonhoso, imoral, nojento e|ou sujo…
Para os homens, como dito antes, normal como uma troca de roupas.
Pergunto-me, até quando usaremos dois pesos e medidas?
Até quando, narizes vão se torcer quando uma mulher ousar confessar, publicamente, em alto e bom tom que bate uma siririca?
Em condições normais de desenvolvimento, a priori, todos – homens e mulheres – estão sujeitos ao desejo, à curiosidade quanto ao próprio corpo, ao descobrimento da própria sexualidade.
Quando um adolescente tranca-se no banheiro e alguém deduz que ele esteja em um momento de auto satisfação, é ‘aceitável’. Ele é macho afinal. É o garotão do papai. Vai traçar as novinhas na escola. Só falta receber tapinhas nas costas. E se fosse uma menina?
De forma aberta, velada e, em alguns casos, ‘sem querer’, somos ensinadas|programadas  que a masturbação é algo nojento, errado, feio, pecaminoso. E isso não é nem depois de adulto. Quer um exemplo?
Quando vc vê um garotinho ainda na infância, sem entendimento racional, descobrindo o próprio corpo “é engraçadinho” “é aceitável” “é cabra macho igual o papai”. Mas se pegam a garotinha fazendo o mesmo, se esfregando nos móveis ou se tocando, sentem-se horrorizados. Ela é imediatamente repreendida e reprimida.
Até quando?
Entenda:
Uma ‘moça de família’ não é sinônimo de assexuada.
Uma mulher que decidiu exercer seu direito à liberdade sexual não é uma ‘vadia’, é apenas uma mulher que não se curvou à um tabu estúpido.
A sexualidade feminina deveria ser vista com mais naturalidade. Talvez assim diminua a incidência de mulheres sexualmente frustradas e insatisfeitas, que muitas vezes, nunca tiveram o prazer de descobrir o que é um orgasmo. 
Somos todos humanos, suscetíveis ao mesmo desejo…